Centro de documentação
e arquivo feminista
elina guimarães

As mulheres nas Crises Académicas durante a Ditadura

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A UMAR com a contribuição da pequena subvenção da CIG, tem desenvolvido ao longo de 4 nos, o projeto Memória e Feminismos, cujo objetivo fundamental se prende com a recolha de histórias de vida de mulheres, dando visibilidade às suas vidas, suas lutas e percursos emancipatórios.

A recolha efetuada, disseminada pelas regiões: Madeira, Minho. Coimbra, Setúbal, Açores e sudoeste alentejano, encontra-se editado em vídeo e publicada em livro. Pode ainda ser consultada no portal do Centro de Documentação e Arquivo Feminista da UMAR.

Este ano, encontramo-nos em fase de recolha nas regiões de Viseu e Porto.

Nas conversas com algumas das mulheres que disponibilizaram os seus depoimentos, descobrimos que tinham tido uma participação ativa nas lutas académicas dos anos 1960 e 1970. Daí surgiu a ideia de um debate, que se realizou a 9 de Maio na sede da UMAR, sobre “as mulheres nas crises académicas”, com características pioneiras, dado que se conseguiu reunir um conjunto de estudantes da altura que nos falaram do significado do envolvimento politico e as repercussões na sua vida pessoal.

Daquele vibrante debate surgiu a ideia da passagem a livro, já que as protagonistas deste debate: Emília Brederode, Maria Augusta Seixas, Diana Andringa, Clara Queiroz, Manuela Góis, Etelvina de Sá, generosamente, também nos disponibilizaram documentos e fotos inéditas que nos impelia à sua publicação.

O livro não ficaria completo sem o contributo de Manuela Tavares que fez investigação sobre a participação das mulheres nas crises académicas, inserida na sua dissertação de doutoramento “Os feminismos em Portugal – percursos e desafios 1947-2007”.

Não se pretendeu escrever um livro de história, no entanto julgamos que os historiadores/as encontrarão fatos inéditos e uma visão pessoal de quem se atreveu a sobressaltar o Estado Autoritário.

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Por este motivo a apresentação do livro que vos deixamos está a cargo da historiadora Alice Samara. Investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, com vasta obra publicada e da qual destaco Operárias e Burguesas.

Como sabemos, durante os anos 60 e princípio dos anos 70 as crises académicas constituíram-se como um dos principais momentos de conflito entre os estudantes universitários e o Estado Novo.

A crise académica de 62, abre as portas ao despertar da atividade política de uma geração que em anos posteriores se irá manifestar como um dos principais movimentos de resistência e oposição ao Regime.

Em 3 edições do projeto Memória e Feminismos, recolhemos histórias de vida de mulheres que participaram ativamente nestas crises: Graça Abranches e Clara Queiroz em Coimbra e Lisboa respetivamente, crise académica de 62. Etelvina de Sá e Isabel Raposo 69, ambas alunas da Universidade de Coimbra. Também uma das colaboradoras do projeto Memória e Feminismos, Maria Augusta Seixas, foi protagonista deste movimento, iniciado em 62.

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Neste contexto julgamos ser da mais elementar justiça ouvir algumas das suas intervenientes, mostrando que também elas, foram protagonistas numa história cuja imagem oficial é maioritariamente masculina.
Deixo-vos pois, com estas mulheres cujas vidas foram marcadas por esta série de acontecimentos.

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